/
/
/
O que precisamos saber para realizar uma boa Confissão

FormaçõesNotíciasSantuário

O que precisamos saber para realizar uma boa Confissão

Antes de tratarmos sobre a Confissão ou o Sacramento da Reconciliação ou Penitência, é fundamental termos em mente alguns elementos essenciais à sua celebração, em especial, o que vem a ser o pecado que, embora muito cometido, é um tanto quanto esquecido em nossa autoavaliação e/ou exame de consciência. Parece estranho dizer, mas muitos que vão às filas de confissões não fazem um exame de consciência adequado, especialmente, porque:

1) não sabem o que é confessar-se;

2) não sabem o que é pecado.

Pela mesma razão, muitos ficam anos sem se aproximar do Sacramento da Reconciliação, por décadas! A sociedade atual perdeu a noção de pecado, embora o cometa sem pudor. Isto se deve a uma certa visão egoísta acerca das próprias faltas. Muitos consideram pecado somente aquilo que os “incomoda”, isto é, o que causa um peso interior, perturbação ou confusão. Por outro lado, outros consideram pecado somente “roubar e matar” e não confessam da maneira correta.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, pecado é “uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como ‘uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”‘ (CIC  §1849).  Assim sendo, objetivamente, pecado não é um peso que se sente na consciência, porque isso poderia negligenciar certos pecados que não causam sofrimentos interiores. Há muitos que pecam e acham normal! Trata-se de um entorpecimento da reta consciência que impede a contrição, o arrependimento do pecado.

Na confissão, portanto, se deve contar as faltas cometidas pessoalmente e em espécie, com o devido arrependimento e desejo de reparação do mal praticado. Destacamos aqui a palavra pessoalmente porque, com muita frequência, as pessoas, em vez de confessar os próprios pecados, contam os pecados alheios, culpando marido, filhos, tios, sobrinhos e esquecendo-se de suas próprias faltas. Isso além de ser errado em relação ao modo de fazer do Sacramento da Penitência, parece também ser um outro pecado, numa espécie de “fofoca sacramental”. O termo não existe, mas serve para expressar o que uma confissão pode se tornar quando a consciência não está bem formada.

Outros ainda confundem confissão com direção espiritual ou terapia. Embora seja um sacramento de cura, o Sacramento da Reconciliação não é o local para encher o ministro da reconciliação (sacerdote) de perguntas ou contar histórias longuíssimas de um passado muito remoto . Além de ser um equívoco, em geral, é uma falta de caridade com os irmãos que aguardam ser aproximar do “tribunal da misericórdia”.

Desta forma, para um boa confissão é preciso: um bom exame de consciência; arrependimento e desapego das faltas cometidas; desejo de emenda ou reparação do mal cometido, sendo possível. É possível fazer uma lista dos pecados para evitar esquecimento e favorecer a brevidade do ato sacramental.

Fato é que a Confissão, temida por tantos, é um remédio para a alma e nos faz ter o espírito renovado pela graça divina, devolvendo-nos o fôlego espiritual para prosseguirmos na caminhada da santidade. Não é preciso temer o juízo do ministro, mas sim, confiar-se aos braços do Pai Misericordioso que está nos aguardando de volta, com roupa nova, anel e uma sandália para calçar nossos pés, feridos pelo pecado enquanto caminhávamos longe do Senhor.

Confessemo-nos bem!

Padre Jonatan Rocha do Nascimento

Vigário Paroquial – Santuário Bom Pastor 

Compartilhar:

NOTÌCIAS